Sabemos muito bem que o Brasil não é um bom exemplo de um país que preserva sua vegetação natural, no caso a mata Atlântica. Esse tipo de vegetação se localiza na Serra do Mar, perto da costa. Esta, se encontra mais preservada pois a serra possui uma inclinação muito drástica, então o estabelecimento além de ser complexo e indesejado, pode trazer um final trágico por conta de enorme quantidade de áreas de risco.
Temos como foco principal Cubatão, pois visitamos essa área. Lá existem muitas questões socioambientais que precisam ser resolvidas. Por exemplo, nos bairros Cotas o Saneamento, apesar de ser um direito básico, não atinge a área por inteiro. O Sistema de Tratamento de Esgoto, mal trabalhado, joga toda essa água suja dentro dos canais que percorrem os bairros, poluindo diretamente a água que desce a serra.

A cidade que nasceu sem planejamento durante 1947 quando a Rodovia Anchieta estava sendo construída, para facilitar a vida dos trabalhadores, eles mesmos, estabeleceram algumas moradias no entorno da obra. Foi a partir desse processo que nasceram os bairros cotas. Comparando com as bem estabelecidas e tecnológicas construções de São Paulo, os bairros têm edificações em áreas inapropriadas que estão em locais de risco, com péssimo acabamento, que se localizam em locais nada estratégicos.
Vemos também que essas construções devastou na Mata Atlântica e uma ação do governo foi criar o Parque Estadual da Serra do Mar que retirou moradores dos bairros cotas e os realocou para prédios da CDHU – Companhia de Desenvolvimento Humano e Urbano – e destruiu suas antigas casas e reflorestou as áreas, que em 6 anos voltou ao seu estado natural.
Apesar de ter sido uma iniciativa de tentar mudar o ambiente, o maior dos causadores do desmatamento são as indústrias que primeiramente precisam do espaço para expandir, em segundo lugar liberam poluentes no ambiente que não permitem a sobrevivência das plantas e por último, utilizam as vezes o carvão vegetal que vem das árvores como combustível.
A intensa atividade industrial dentro de Cubatão transformou a cidade em um polo industrial em 1971 até os dias de hoje causou uma variedade de impactos de ordem ambiental, poluindo de diversas maneiras o ambiente, e de ordem social, que, apesar da indústria ter gerado empregos, causou problemas de saúde, como doenças pulmonares e anomalias corporais. Isso levou a crer que a fiscalização feita pelo governo e os projetos de melhoria como o de reflorestamento, artes nas cotas, o projeto cota viva, a RTA, empresa de prestação de serviços, dedicada à proteção do meio ambiente, com o objetivo minimizar ou eliminar os impactos e custos operacionais na destinação dos rejeitos líquidos e sólidos, o Plano de Gerenciamento Ambiental (PGA) que mensurar impactos ambientais das operações e proporciona melhora nos processos de otimização de ganhos ambientais e o projeto COMCOM foram insuficientes para melhorar 100% das condições ambientais.
Na época, mais ou menos em 1950, Cubatão tinha já se tornado uma cidade industrial, e que mais pra frente em 1970 teria sido considerada a cidade industrial da América Latina, usava a ‘fumaça’ como sinônimo de sucesso, com o tempo foi observado o contrário já que a população passou a ter vários problemas respiratórios e em alguns casos até anomalias corporais ( um bebê nasce sem um braço, uma perna e até sem parte do cérebro). Isso tudo porque 23 tipos de poluentes diferentes e 30 mil toneladas eram liberadas na atmosfera por mês.
Quando o químico Osmar Gomes e gestor de projetos do Centro de Capacidade e Pesquisa do Meio Ambiente (Cepema) da USP, visitou a cidade 1986 e disse: “A qualidade de ar era bem ruim. Era difícil de respirar e os olhos ficavam avermelhados. As condições que se encontrava na Serra do Mar me chamou atenção. Havia muitas áreas claras, muitas plantas sem folhas em função da chuva ácida. Sentíamos cheiro de amônia e se via muita fuligem nas ruas”, esse relato nos ajuda a entender como a industrialização afetou o meio ambiente, e nos faz pensar em como afetava as pessoas que viviam nesse meio.

Em 1981, fumaça preta e amarela saía das chaminés dia e noite. Na Vila Parise, bairro residencial de baixa renda próximo a indústrias de petróleo, fertilizantes e metais, nasciam crianças com graves malformações nos membros e no sistema nervoso. Pelo menos 37 nasceram mortas devido a problemas como anencefalia, a falta de cérebro. Percebendo a gravidade da situação a Organização das Nações Unidas (ONU) considerou a cidade como a “mais poluída do mundo” e conhecida globalmente como “Vale da Morte” Afirma a jornalista, Camila Costa, da BBC NEWS Brasil.
Em 1983, Paulo César Naun que se graduou em Biomedicina na UNESP, em um estudo validou quase 500 amostras de sangue da população de Cubatão e constatou que 35% delas estavam intoxicadas, com isso foi levada em consideração que as mulheres em gestação afetaram o sistema nervoso das crianças, causando uma dificuldade na formação celular do embrião, o que explica o nascimento das crianças mortas no Distrito de Cubatão.
Este ano, a estatal responsável por fiscalizar questões ambientais, Cetesb, constatou 9 irregularidades na região e 13 advertências. O número de multas está perto de alcançar perto de alcançar o número do ano passado. Segundo o gerente da Cetesb da região, Marcos Cipriano: “ainda faltam 4 meses para o ano acabar, mas, a menos que haja um evento excepcional, no geral, o movimento segue semelhante ao ano passado”, assim é possível perceber nenhum avanço atual das indústrias.
Em conclusão, são necessárias alterações. Primeiramente no nosso conceito de desenvolvimento, que antes recebia como símbolo a “fumaça”, e que atualmente deveria ser o reflorestamento já proporciona a ideia de desenvolvimento e superação. E por fim, a melhor fiscalização governamental das indústrias para que não apenas diminua a exploração natural, mas que também prejudique minimamente, ou até não prejudique, nós seres humanos.
Bibliografia
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COSTA, Camila, “A batalha de Cubatão contra a poluição atmosférica”, BBC News Brasil Publicado em: 10/03/ 2017 < https://www.bbc.com/portuguese/media-39236610 > Acesso em: 24/10/19
COSTA, Camila, “Mais de 3 décadas após ‘Vale da Morte’, Cubatão volta a lutar contra alta na poluição” BBC News Brasil Publicado em: 10/03/ 2017 < https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054 > Acesso em: 24/10/19
PIRES, Fernanda, “‘Vale da Morte” foi o símbolo de Cubatão’, Valor Globo Publicado em: 15/03/2012 <https://valor.globo.com/brasil/noticia/2012/03/15/vale-da-morte-foi-o-simbolo-de-cubatao.ghtml > Acesso wm: 24/10/19