Elise Boccia, Olívia Blay, Theodora Gibotti e Tomás Vilela

Por conta de um desconhecimento acerca de sua importância ambiental, apenas 40% dos manguezais da Baixada Santista ainda estão em bom estado de conservação. As principais causas disso são o soterramento de grande parte dos manguezais pelo Porto de Santos e áreas urbanas, como visto no estudo do meio, e a poluição do ar e da água pelas indústrias, que acabam destruindo o “berçário” da vida marinha. Este bioma é essencial tanto para a natureza quanto para a sociedade, como indicam Schaeffer Novelli e levantamentos do Observatório do Clima. Sendo assim, precisamos buscar formas de melhor preservá-lo. Neste artigo, pretende-se explicitar a importância, os impactos e como recuperar e preservar os manguezais da Baixada Santista. 

Primeiramente, antes de iniciar o processo de recuperação desse ecossistema, é preciso entender a sua relevância socioambiental. Além de ter um papel representativo para a alimentação, migração e reprodução de aves, o manguezal é prioritariamente conhecido por ser o “berçário da natureza”, pois segundo Yara Schaeffer Novelli, Mestra em Oceanografia Biológica pela USP, “diversas espécies de peixes, moluscos e crustáceos encontram nesse ecossistema condições ideais como criadouro e abrigo às suas proles”. Em função disso, de 70 a 80% das espécies citadas anteriormente, precisam, para sobreviver, do manguezal em alguma fase da vida, tanto que 95% da produção de alimento marinho está direta ou indiretamente relacionado a esse ecossistema. 

No entanto, esse bioma já foi muito degradado. Nos últimos 17 anos, 20% dos manguezais brasileiros foram perdidos (GLOBO, 2017), como

Mesmo impactando muito os manguezais da Baixada Santista, o Porto de Santos produz 50% do PIB brasileiro.

indica o levantamento do Observatório do Clima junto a outras entidades. Na Baixada Santista, esse impacto está intensamente relacionado à história de ocupação da região. A construção do Porto de Santos, inaugurado em 1892, foi um fator fundamental para o aumento dos danos a esse bioma. Além de grande parte da estrutura do porto ter sido construída sobre manguezais, diversas indústrias foram atraídas na década de 50 para o local. Com essas instalações, o impacto nesse ecossistema foi intensificado, tanto pela ocupação direta das indústrias e dos novos bairros – como os Bairros-Cota, formados por conta da construção da Via Anchieta no final da década de 40 –, quanto pelo despejo de resíduos tóxicos, afluentes contaminados e, também, resíduos domésticos, no ecossistema. A localização do polo industrial não favorece a dispersão dos poluentes, que são barrados pela Serra do Mar, aumentando sua concentração e, consequentemente, piorando as condições de sobrevivência do manguezal. 

Apesar da excessiva exploração humana que o bioma vem sofrendo, várias pesquisas feitas na Baixada Santista mostram que é possível a recuperação e preservação dos manguezais. Esses estudos de restauração do

 ecossistema degradado mostram que o replantio de espécies como Rhizophora mangle (mangue vermelho) e Laguncularia racemosa (mangue branco) é viável e importante para a manutenção dos manguezais. (Casasco et al., 2019). 

Os mangues vermelhos (primeira imagem) e mangues brancos (segunda imagem) são espécies nativas e típicas do ecossistema de manguezal

Dada a importância do manguezal na manutenção da biodiversidade mundial, como citado anteriormente, é necessário que o Governo e órgãos públicos adotem legislações para a preservação do bioma reconhecido como “berçário da vida”. Para isso, é preciso a demarcação de mais áreas de conservação ambiental e uma maior fiscalização e regulamentação dos resíduos descartados pelas negligentes indústrias. Assim, o ambiente e a sociedade poderão usufruir de maneira consciente daquilo que esse rico ecossistema tem a prover. 

Dada a importância do manguezal na manutenção da biodiversidade mundial, como citado anteriormente, é necessário que o Governo e órgãos públicos adotem legislações para a preservação do bioma reconhecido como “berçário da vida”. Para isso, é preciso a demarcação de mais áreas de conservação ambiental e uma maior fiscalização e regulamentação dos resíduos descartados pelas negligentes indústrias. Assim, o ambiente e a sociedade poderão usufruir de maneira consciente daquilo que esse rico ecossistema tem a prover. 

 

BIBLIOGRAFIA

GLOBO (Pernambuco). Levantamento mostra que Brasil perdeu 20% dos manguezais em 17 anos. Portal G1, 27 abr. 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/pernambuco/noticia/levantamento-mostra-que-brasil-perdeu-20-dos-manguezais-em-17-anos.ghtml. Acesso em: 13 nov. 2019 

 

SOUZA, Caroline A.; DUARTE, Luís Felipe A.; JOÃO, Márcio C. A.; PINHEIRO, Marcelo A. A. Biodiversidade e conservação dos manguezais: importância bio ecológica e econômica. Educação Ambiental sobre Manguezais, 13 nov. 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Marcio_Joao2/publication/322788597_Biodiversidade_e_conservacao_dos_manguezais_importancia_bioecologica_e_economica/links/5a6fe5e0aca272e425eb303a/Biodiversidade-e-conservacao-dos-manguezais-importancia-bioecologica-e-economica.pdf. Acesso em: 13 nov. 2019 

 

SANTOS, : Ana Lucia Gomes; FURLAN, Sueli Ângelo. Manguezais da Baixada Santista, São Paulo – Brasil: uma bibliografia. [S. l.], 1 maio 2010. Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema3/ana_lucia. Acesso em: 13 nov. 2019. 

 

CASASCO, BIANCA SERRA; SANTOS, CARLOS LOPES; QUIÑONES, ELIANE MARTA. Recuperação de manguezais brasileiros. Universidade Santa Cecília, 6 jun. 2014. Disponível em: https://sites.unisanta.br/revistaceciliana/edicao_13/1.pdf. Acesso em: 13 nov. 2019. 

 

 

  

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